Depoimento – AN para gatinhos – Carla Soares

///Depoimento – AN para gatinhos – Carla Soares

Depoimento – AN para gatinhos – Carla Soares

A Carla é uma amiga muito querida e pessoa maravilhosa que admiro demais.

Nos conhecemos pelo Twitter onde a Carla escreve sobre PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais e conversamos sobre alimentação, meio ambiente, sustentabilidade no geral. A Carla me contou sobre o processo dela, sendo vegetariana, em transformar a alimentação de seus gatinhos. Eu fiquei tão tocada com a história que pedi que  escrevesse um depoimento contando a experiência para vocês.

Espero que muitos se inspirem na trajetória da Carla e seus gatinhos e que sejam persistentes nesse caminho em transformar a alimentação daqueles que mais amamos.

Para acompanhar o trabalho da Carla e aprender mais com ela: https://outracozinha.com.br/author/carlasoaresf/

Instagram e Twitter: @outracozinha

*Quer inspirar outras pessoas com seu depoimento? Envie para: contato@caolinaria.com.br

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Fiquei conhecendo o modelo da Alimentação Natural (AN) quando meu gato Tutu começou a apresentar Síndrome Urológica Felina mesmo sendo muito jovem (2 anos). Fizemos algumas tentativas de mudança da dieta como tratamento, mas o quadro dele começou a incluir ausência de apetite, e a AN deixou de ser uma alternativa. Tutu na verdade tinha FELV e se foi pouco tempo depois do diagnóstico.
Quando conseguimos curar as feridas pela partida do Tutu, adotamos outros 3 gatos ainda filhotes – Croquete, Farofa e Pequi. Já estava convencida a tentar a AN desde a adoção, mas esbarramos numa viagem inesperada que nos fez ficar um ano longe do Brasil. Por conta disso, só demos conta de colocar em prática esse projeto quando retornamos. E aí, infelizmente, eles já estavam bem acostumados com as rações secas industrializadas.
Quem tem gato sabe e acha até bonitinho observar o quanto eles são particularmente avessos à mudanças na rotina. Mas as vezes isso traz dificuldades. Mudanças na rotina alimentar são terrivelmente custosas. Isso não significa, no entanto, que são impossíveis.
O principal que ficou pra mim desse processo de adaptação pra AN foi a importância de aprender a lidar com o tempo dos gatos, e com o tempo de cada gato. As mudanças tem que ser muito pequenas e sutis. E a gente tem que ficar atento aos sinais de quando é muita mudança pra um gato dar conta.
Vou dar um exemplo, pra ficar mais concreto do quê estou falando: gastei uns 15 dias só pra conseguir que os gatos se acostumassem com o fato de que dali em diante haveria horário pra comer. No início, servia 4 refeições. Nesses 15 dias, fui progressivamente diminuindo e aumentando as porções até chegar a 2 somente.
Também precisei ensinar, com mais um tempinho e paciência, que cada gato tinha seu pote, e seu canto pra comer.
O passo seguinte foi acostumar os três com refeições úmidas de lata misturando com porções secas que aumentavam progressivamente ao longo de dias; e depois dar as latas misturadas com proporções de AN preparada em casa, o que levou meses, muitos meses. No início com 5% de AN, depois 10%, 20%… Eram passinhos de bebê mesmo, minúsculos.
Como são 3 gatos, tive de lidar também com o fato de cada um dos gatos tinha um ritmo diferente. Croquete simplesmente adorou a AN e catava pedaços dela deixando a ração de lata pra trás. Já a Farofa, frequentemente pulava refeições pq tinha AN demais pro gosto dela. Quando isso acontecia demais, a gente tinha que voltar pro passo anterior, ou diminuir o tamanho do passo dado. Podia ser que pra ela tivesse sido um passo grande demais, ou podia ser que o comportamento anterior não estivesse bem consolidado. O fato é que a gente voltava atrás, esperava mais tempo, tinha mais paciência. E voltava pros 3 gatos. Era mais fácil de lidar com os 3 em conjunto, tomando por base quem tinha mais dificuldade com as mudanças.
O processo foi muito longo – levou cerca de 1 ano – , e em muitas etapas a gente ficava bem desnorteado em entender como o passo poderia diminuir até ficar mais confortável pra eles. Ajudou muito entender mais de psicologia comportamental e modelagem de comportamento, ver vídeos de veterinários sobre mudanças alimentares em felinos, e ter muita, muita paciência e vontade de fazer isso dar certo. Já tem 4 anos que os 3 estão muito bem adaptados com a AN crua sem ossos – a Farofa nunca deu conta de lidar com os ossos.
Eles mudaram muito com a alimentação: têm outra disposição, pelagem e saúde. E são muito amor, como todos os gatos. Não tenho dúvida de que a insistência valeu muito a pena.
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Nas imagens: A vasilha com a comida congelada sendo colocada em uma porção, que vai ser esquentada em banho maria. Gatos preferem a comida com uma temperatura parecida com a de uma presa recém abatida, então a gente coloca 10-15 minutos em banho maria antes de servir. Na hora de servir, polvilhamos por cima levedo de cerveja – eles gostam muito! O Croquete, que aparece comendo, é fã n° 1 dessa comidinha <3
By |2018-09-03T17:36:58+00:00setembro 3rd, 2018|Eles comem AN|1 Comment

One Comment

  1. Tahisa 5 de setembro de 2018 at 22:44 - Reply

    Maravilha

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